Trupe Limousine

                                                                                       Pedro Franco

             A banda fez quinze anos (1996 - 2011) e três dos iniciais integrantes continuam firmes e afinados e nos dois sentidos. E fizeram um CD pela Sony Music (1998) e, ao ver do pseudo cronista, que é ligado emocionalmente à Trupe, foi a inúmeros shows e com prazer, a TL cometeu um equívoco de só por músicas da autoria dos componentes da Banda no CD. Quatro dos cinco tinham músicas no CD e no geral os componentes da Trupe são melhores músicos que eram compositores. Poderiam, pois, ter mesclado. Lamentavelmente agora não tocam qualquer das músicas do CD e, para exemplo, “Porque hoje é sexta-feira” (Hélio Tavares) e Metades (Diniz Franco - Átila Santos) merecem ainda ser tocadas e em vários shows. No caso parece imitação do Regulador Xavier, o amigo de confiança da mulher, no 1 excesso (CD), no 2 escassez (agora). E a banda evoluiu muito. Lamentavelmente alguns integrantes ficaram pelo caminho e por vários motivos. Dos iniciais Ruban Barra, teclado e autor inclusive de “Dancing days” (com Nelson Motta), aposentou-se. Ary Peixoto, baixo, fala-nos via Rede Globo, de várias cidades do planeta e a banda tem pouso fixo no Rio. O baixo foi ocupado por Ronaldo Cintra, que faleceu e deixou saudades pela música e por ser quem era. O baixo então foi entregue a Walter Vilardi, que está agora em outras e sempre muito bem, pois é excelente baixista. A banda tem sempre baixista de realce e Celso Bollorini não deixa nunca a TL ficar sem seu som inconfundível. Ótima aquisição! A banda, com a saída de Ruban Barra e Ary Peixoto, reestruturou-se e Henrique Tavares, irmão do guitarrista Hélio Tavares, o “inventor” da banda, veio dar voz à Trupe Limousine. E que voz! Tenho visto aguentar mais de duas horas de vocal e sem perder fôlego e eficiência. Falei nos novos e não destaquei os três que continuam na pista e sem deixar cair o élan inicial. Vale dizer, antes de destacar os veteranos de quinze primaveras juntos e harmônicos, que para um novo projeto, iniciado há cerca de quinze dias, projeto George Harrison e são dezoito músicas novas, um tecladista incorporou-se à banda, Afonso Celso. Ainda não o ouvi tocar, mas no dizer dos veteranos soma e muito com seu teclado. Vamos aos três remanescentes. Na bateria Átila Santos, pai do João e da Manuela e que sempre garante a cozinha da banda, com inegável vigor. Imagina-se uma banda de roque sem um baterista de peso? Deve sair extenuado, mas sabendo que fez o que os companheiros e público esperavam. Diniz Franco é meu filho, guitarrista. Sem errar posso dizer que cresceu musical e espetacularmente. Falando de filho, paro por aqui nos comentários e com pena. E há frase em inglês que diz que em último e não em último, Hélio Tavares, que com Diniz, faz os vocais de apoio ao Henrique Tavares. Hélio, que “bolou” a Trupe Limousine, fez a capa do CD, domina os palcos e dá força aos demais companheiros. É e ele talvez nem goste do que vou escrever, um “show enche cena man” (encher no sentido de dar sentido, completar, ser único, importante e indispensável), além de guitarrista notável. Enfatizo que as duas guitarras entrosam-se, irmanam-se, de forma espetacular e só dois guitarristas amigos, mesmo fora da música, podem fazer no palco o que alardeiam, sem crises de estrelismo. Um dando base ao outro, para apresentarem excelentes solos, dos pontos mais destacáveis da Trupe Limousine. São músicos profissionais, os cinco, agora seis? São e não são. Explico-me, têm outras profissões, mas dedicam-se à banda como profissionais. E não só em dedicação, mas também em ótimo nível musical. E vou chutar um dado; digamos que a banda tocou nestes quinze anos oitenta vezes. Chuto o número, mas não devo estar longe da verdade, para mais, ou menos. Foram a estúdio para treinar umas quinhentas vezes, pois têm a grande virtude de desejarem a perfeição. Atingem-na? Posso dizer que muitas vezes sim. Discutem, no bom sentido? Sim. Se assim não fosse, já se teriam separado, pois das discussões amigáveis vem a tentativa constante de aprimorar, meta pela qual batalham e sem tréguas. A banda deu-lhes lucro financeiro? Não, estão indelevelmente no prejuízo. Mas houve lucro artístico, emocional, como amigos e pessoas. E conseguem conviver, apesar das diferenças (diferenças no sentido profissional, extra dó-re-mi-fá-sol-lá-si-do). Há a música a uni-los, há a Trupe Limousine, filha dileta de cada um deles. E, confesso, que o projeto George Harrison está me pondo em agradável expectativa. É só aguardar. Viram, falei pouco do filho!